Instalada estratégicamente no estreito de Óbidos, ponto de passagem obrigatória para embarcações que navegam entre o Amazonas e a malha fluvial paraense, a Base Integrada Fluvial Candiru destaca-se como linha de frente da segurança e da fiscalização ambiental no Estado.
Nos últimos nove meses, segundo balanço oficial, foram apreendidas mais de 14 toneladas de pescado que estavam sendo transportadas sem a devida documentação ou autorização ambiental — um problema que afeta tanto a sustentabilidade dos recursos pesqueiros quanto o patrimônio das comunidades ribeirinhas. Paralelamente, a unidade contabilizou a apreensão de aproximadamente 1,1 tonelada de drogas, variando de cocaína a skunk, em operações direcionadas a interceptar navegações suspeitas.
A atuação coordenada envolve órgãos estaduais de segurança pública, fiscalização ambiental e órgãos federais, focando especialmente no controle de cargas provenientes de outros estados ou de áreas de difícil alcance terrestre. Conforme relato do secretário estadual à época da ativação da base, trata-se de “cobrir uma necessidade não só da população local, mas de desarticular rotas de criminalidade que utilizam os rios como corredor”.
O impacto da ação vai além da mera repressão: dobra-se como mecanismo de proteção ambiental, ao impedir a extração e o transporte clandestinos de pescado em grande escala, e como reforço à soberania na região ribeirinha, historicamente vulnerável à exploração irregular.
Apesar dos resultados expressivos, os desafios permanecem. A vastidão da malha fluvial do Pará, a diversidade de modos de transporte (lancha, voadeira, barcos de grande porte) e os pontos de embarque remotos exigem constante atualização de estratégia, inteligência e logística operacional. O futuro da Base Candiru inclui, segundo planejamentos, ampliação de recursos e parcerias para manter a presença permanente e ampliar a devolução de cargas apreendidas às comunidades, quando viável.
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