Do interior da Amazônia para um dos maiores palcos de inovação tecnológica do país. Os estudantes Gabriel Reis, 17 anos, e Glemerson Brandão, 14 anos, da Escola Municipal São Pedro, em Belterra, levaram o projeto “Foguete Linnyer” ao Manna Valley, em Curitiba (PR), e conquistaram o 3º lugar nacional na competição que celebrou iniciativas desenvolvidas a partir da ciência e tecnologia quântica.
A participação marcou também um momento inesquecível na vida dos adolescentes: a primeira viagem de avião. Saindo da zona rural de Belterra, onde vivem e trabalham na roça, eles chegaram a um grande centro urbano e vivenciaram novas experiências que, segundo eles, “ficarão para sempre na memória”.
A professora e orientadora Flávia Noronha acompanhou a dupla na viagem e destacou o impacto transformador do projeto. “Foi emocionante demais. Eles são muito inteligentes. Quando comecei a dar as aulas do Manna, percebi o potencial deles na microeletrônica, na quântica, na probabilidade, na física. É tudo muito mágico”, relatou.
O Manna Valley é o evento de culminância do Manna Quantum Festival, que promove ao longo do ano atividades voltadas para popularizar os princípios da ciência quântica e suas aplicações em áreas como saúde, energia, indústria, ação climática e inovação tecnológica. Trabalhar essa temática no interior da Amazônia, porém, ainda é um desafio. “Não temos acesso a recursos tecnológicos modernos. Pensando nisso, o Manna-Team disponibiliza kits que ajudam a trabalhar superposição, probabilidade, IA, arduíno e muito mais”, explicou a professora.
O desempenho dos alunos garantiu a eles — e à orientadora — uma viagem com todas as despesas pagas pela organização, já que ficaram entre os 10 finalistas da competição de vídeos de pitch. O desafio proposto era gravar uma apresentação de cinco minutos com o tema “Descomplicando a quântica na escola”.
Inspirados no conceito visual relacionado ao espaço, presente nos kits do Manna, os estudantes decidiram construir o “Foguete Linnyer”, nomeado em homenagem à idealizadora do Manna-Team, Linnyer Beatrys Ruiz. Com o protótipo pronto, realizaram dez lançamentos para medir erros e acertos a partir dos princípios da probabilidade quântica, seguindo protocolos rigorosos de segurança.
Gabriel celebrou a experiência: “Foi coisa de outro mundo. Construir o foguete, participar do festival, viajar de avião… tudo isso nos motivou ainda mais a seguir na ciência”.
Glemerson reforçou o orgulho em representar Belterra. “A emoção de sermos o 3º lugar é inexplicável. É inédito em nosso município. Nós somos a força da popularização da ciência na Amazônia”, afirmou.

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