O governo Lula voltou a provocar polêmica ao citar a China como modelo de regulação das redes sociais. Em recente declaração, o presidente defendeu trazer um emissário enviado por Xi Jinping para “compartilhar experiências” de controle digital. A ideia foi reforçada por sua esposa, a primeira-dama Janja, que elogiou as rígidas regras chinesas, incluindo prisão de quem desrespeita normas e restrições severas para crianças e adolescentes.
A fala repercutiu negativamente. Oposição, juristas e defensores da liberdade de expressão alertam que o Brasil não pode importar mecanismos de censura de regimes autoritários. Na China, críticas ao governo são removidas das plataformas, usuários são monitorados em massa e jornalistas independentes sofrem perseguições. “Trazer esse modelo para cá é brincar com a democracia”, criticou um deputado da oposição.
Apesar de Lula afirmar que quer discutir o tema “da forma mais democrática possível”, a inspiração no regime chinês levanta dúvidas sobre suas reais intenções. Para críticos, o discurso de “combate à desinformação” pode servir de pretexto para silenciar opositores e controlar o debate público.
Enquanto o governo defende pressa na aprovação de uma lei de regulação, parlamentares pedem cautela e transparência. “O Brasil precisa combater fake news, mas não ao custo de transformar o país numa nova versão do que se vê na ditadura chinesa”, reforçou um senador.
No fim, a polêmica expõe uma encruzilhada: regular para proteger ou controlar para calar? Para muitos, o risco de caminhar rumo ao autoritarismo é real e exige vigilância constante da sociedade civil e do Congresso.

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