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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

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Núcleo inédito vai fortalecer pesquisas étnico-raciais no MPPA em Santarém

Ministério Público lança Nuper, voltado a estudos sobre povos tradicionais e saberes amazônicos, com participação de universidades e movimentos sociais.

Núcleo inédito vai fortalecer pesquisas étnico-raciais no MPPA em Santarém
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O Ministério Público do Pará (MPPA) deu um passo inédito em Santarém ao lançar o Núcleo de Pesquisas em Questões Étnico-Raciais nas Amazônias Paraenses (Nuper). A iniciativa foi apresentada durante o seminário “Perspectivas para a produção do conhecimento no âmbito do MPPA”, realizado na sede das Promotorias de Justiça.

Criado pela Portaria nº 1639/2025 da Procuradoria-Geral de Justiça e vinculado ao Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), o Nuper atuará em três frentes principais: territorialidade e diálogos interculturais; educação escolar de povos e comunidades tradicionais; e saberes de cura de povos e comunidades tradicionais.

Na abertura do evento, o diretor do CEAF, promotor José Edvaldo Pereira Sales, destacou a relevância do momento.

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“É a primeira vez que o MP se volta de forma tão direta à produção do conhecimento. Esse espaço, geralmente ocupado por universidades, agora também será parte da nossa missão institucional”, afirmou.

A promotora de Justiça Renata Valéria Pinto Cardoso, diretora de Cursos e Eventos do CEAF, ressaltou o caráter histórico da criação do Nuper.

“Estamos discutindo a Amazônia a partir da própria Amazônia, com vozes que nasceram e cresceram aqui. Nosso objetivo é que essa produção reverbere internacionalmente, especialmente diante da centralidade da região na COP-30”, disse.

O promotor de Justiça de Santarém, Túlio Chaves Noves, lembrou que pesquisas acadêmicas já serviram de base para ações ministeriais na região. Ele relatou sua experiência com os primeiros alunos indígenas da Ufopa, que enfrentaram barreiras linguísticas, mas hoje são líderes em suas comunidades.

O professor da Ufopa, Jackson Matos, também integrante do Núcleo, ressaltou a necessidade de valorizar os saberes tradicionais.

“O Tapajós é um território de espiritualidade. Precisamos pensar políticas públicas que dialoguem com os encantados e os conhecimentos dos povos das águas e das florestas”, declarou.

A promotora de Justiça Lílian Braga apresentou as linhas de pesquisa e os parceiros institucionais: MPPA, Ufopa, UFPA, UEA, Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES) e Movimento Negro Unificado. Já a promotora Renata Cardoso reforçou os fundamentos do Nuper diante de desafios como racismo ambiental, invisibilidade dos saberes tradicionais e desigualdades históricas.

Com o lançamento do Nuper, o MPPA busca não apenas fortalecer sua atuação, mas também contribuir para a produção científica crítica e intercultural que dê visibilidade à diversidade da Amazônia e de seus povos.

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