Com mais de três décadas de atuação junto às pessoas privadas de liberdade e suas famílias, a Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Santarém, no oeste do Pará, assumiu recentemente a função de segunda tesouraria do Conselho da Comunidade da Execução Penal (Concep). A nomeação amplia a presença da Igreja em um espaço estratégico de acompanhamento, fiscalização e formulação de ações voltadas ao sistema prisional local.
O Concep é formado por instituições da sociedade civil e tem como missão acompanhar as condições dos estabelecimentos penais, promover inspeções, ouvir pessoas privadas de liberdade e contribuir para o cumprimento das penas e medidas alternativas. O conselho também atua na articulação de políticas públicas e em iniciativas voltadas à reintegração social de egressos, por meio de ações nas áreas de trabalho, educação e cultura.
Segundo o coordenador arquidiocesano da Pastoral Carcerária, padre Ivair da Silva Costa, o Concep funciona como um canal essencial de diálogo entre sociedade, famílias e o sistema prisional. “É um espaço de discussão de políticas para melhoria dessa população que vive encarcerada. Dentro da missão da Igreja, há um esforço permanente de apresentar alternativas para que a inserção social aconteça”, destacou.
No Complexo Penitenciário Silvio Hall de Moura, a Pastoral Carcerária desenvolve um trabalho contínuo de evangelização e promoção da dignidade humana, buscando caminhos que superem a lógica punitiva e apontem para a construção de um mundo mais justo. No âmbito arquidiocesano, as ações incluem o acompanhamento de detentos, a participação ativa no Conselho da Comunidade, o apoio à Associação dos Familiares dos Presos e Egressos e a assistência jurídica às famílias.
Padre Ivair ressaltou ainda o caráter transformador da atuação pastoral. “É a presença de Deus junto aos irmãos privados de liberdade, apresentando Cristo como esperança e reafirmando a dignidade humana, com a perspectiva real de reinserção na sociedade”, afirmou.
Outro eixo do trabalho é o incentivo à comunicação não violenta e à cultura de paz. De acordo com o sacerdote, agentes da Pastoral estão se preparando para formar círculos de construção de paz, em parceria com outras entidades. “Essa articulação vai colaborar com todo o processo de reinserção e acolhimento. A Igreja acredita no envolvimento de todos na luta por uma sociedade mais justa, baseada no diálogo, na compreensão e na promoção da paz”, concluiu.

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