Portal de Notícias

Terça-feira, 21 de Abril de 2026

Notícias/Educação

Pesquisa da Ufopa sobre bacia do Paissandu ganha reconhecimento internacional e será apresentada na Nova Zelândia

Estudo aponta perdas florestais, impactos climáticos e estratégias comunitárias de adaptação em Santarém (PA)

Pesquisa da Ufopa sobre bacia do Paissandu ganha reconhecimento internacional e será apresentada na Nova Zelândia
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

A bacia do Paissandu, no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande de Santarém, foi objeto de um amplo estudo conduzido pelo Grupo de Estudos Avançados em Gestão Ambiental da Amazônia (GEAGAA), ligado ao Instituto de Ciências e Tecnologias das Águas (ICTA) da Ufopa. O projeto, iniciado em 2024, recebeu o nome “Águas para a vida: Diagnóstico Socioambiental como estratégia de fortalecimento territorial da bacia do Paissandu” e envolveu de forma participativa moradores e lideranças comunitárias.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor João Paulo de Cortes, trabalhar com foco nas bacias hidrográficas possibilita um planejamento ambiental mais eficiente. “A forma natural de organização de território é a partir de suas águas e do relevo que as acolhe”, destacou.

Moradores como Maria das Graças Almeida, 58 anos, participaram diretamente do processo, auxiliando os pesquisadores na definição de estratégias. “Foi gratificante entender como está a bacia e relembrar as dificuldades que enfrentamos nas últimas secas, quando ficamos isolados e até barcos atolavam na lama”, contou.

Publicidade

Leia Também:

Os dados levantados revelam mudanças significativas no uso do solo nas últimas quatro décadas. Desde 1985, a bacia perdeu uma área de floresta equivalente a 921 campos de futebol. A partir de 2005, com a criação do PAE Lago Grande, houve sinais de recuperação da cobertura nativa e reorganização do território.

Os resultados foram sintetizados em um policy brief lançado no evento Pré-COP 30, promovido pelo coletivo Guardiões do Bem Viver, com recomendações de políticas públicas para fortalecer as comunidades diante da crise climática. Entre os pontos centrais estão a regularização fundiária, saneamento e garantias de direitos fundamentais.

Além de relatórios técnicos, a pesquisa produziu cartilhas, mapas, maquetes em 3D e materiais em realidade aumentada, entregues às escolas e lideranças locais, garantindo a apropriação comunitária dos resultados.

Reconhecimento internacional

O estudo será apresentado no Adaptation Futures 2025, maior conferência internacional sobre adaptação climática, organizada pela ONU, que acontece de 13 a 16 de outubro em Ōtautahi Christchurch, Nova Zelândia. No dia 14, o professor João Paulo participará do painel The Nexus of Food, Water, Climate, and Community, destacando estratégias de adaptação da pesca em água doce.

Sobre o PAE Lago Grande

Criado em 2005, o PAE Lago Grande abriga cerca de 6.600 famílias em 154 comunidades, sendo um dos maiores assentamentos agroextrativistas do Brasil. Apesar do reconhecimento oficial, enfrenta pressões de mineradoras, madeireiras, agronegócio e pesca predatória. A ausência da emissão do Contrato de Concessão e Direito Real de Uso (CCDRU), aguardado desde a criação do PAE, limita o acesso das famílias a políticas públicas essenciais.

As principais atividades econômicas da comunidade incluem agricultura familiar, pesca, extrativismo e pecuária, atividades que hoje sofrem forte impacto da crise climática e da degradação ambiental.

Comentários:
Giro Tapajós

Publicado por:

Giro Tapajós

O GiroTapajós.com conecta você ao que movimenta o Oeste do Pará: notícias, turismo, cultura, gastronomia e podcasts. Informação com identidade amazônica, olhar local e conteúdo feito pra quem vive e ama essa região

Saiba Mais

Veja também

King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!