Belém, PA – A escolha de Belém para sediar a COP30, entre 10 e 21 de novembro de 2025, trouxe à tona um problema que atingiu repercussão nacional: a disparada nos preços da rede hoteleira da capital paraense. Agentes internacionais, como negociadores da ONU, relataram que diárias atualmente alcançam valores entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, com algumas atingindo R$ 100 mil ou mais, muito acima da média histórica de aproximadamente US$ 145 (~R$ 740) por noite .
<span;>A disparidade nos preços já motivou alertas dos órgãos federais. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, notificou entre 23 e 24 hotéis de Belém solicitando documentação detalhada sobre evolução de preços nos últimos anos — com foco na comparação entre épocas como o Círio de Nazaré e o período da COP30 — para averiguar prática abusiva .
<span;>Soluções propostas pelo governador do Pará
<span;>O governador Helder Barbalho (MDB) reconheceu a gravidade da situação e apresentou medidas estruturadas para expandir a oferta de hospedagem e reduzir o impacto nos preços:
<span;>Construção de novos hotéis e “vila de líderes”: previsão de oito novos hotéis e uma estrutura modular com cerca de 400 leitos — que, após o evento, será transformada em um centro administrativo .
<span;>Parceria com plataformas de hospedagem temporária: ampliação de cadastramento de imóveis para temporada, saltando de 700 para mais de 5 000 unidades .
<span;>Conversão de espaços públicos: adaptação de 17 escolas e mobilização de igrejas, motéis, barcos e navios de cruzeiro para aumentar a oferta em cerca de 36 463 leitos, incluindo 4 713 em navios .
<span;>Negociação com rede hoteleira: acordo para reservar 500 quartos em Belém e Castanhal para delegações de países menos favorecidos, com valores entre US$ 100 e US$ 300 (R$ 542–R$ 1 627), atendendo exigência da ONU .
<span;>Mediação de preços com TAC federal: o governo federal articula um Termo de Ajustamento de Conduta com hotéis e plataformas, visando estabelecer limites de preço justos e transparência, com apoio do Ministério da Justiça e Turismo .
<span;>Repercussão nacional e internacional
<span;>As altas tarifas chamaram a atenção de delegações internacionais durante reuniões preparatórias em Bonn, na Alemanha, que questionaram se o Brasil conseguiria manter a sede do evento caso a situação não fosse resolvida . A pressão mobilizou o governo federal: o ministro da Casa Civil, Rui Costa, reuniu-se com dirigentes da COP30 e representantes do setor para tratar das lacunas logísticas .
<span;>Dentro do Planalto, entretanto, surgiram discussões sobre o papel do governo estadual. Helder Barbalho foi criticado por ministros por não intervir diretamente para impor controle de preços, defendendo apenas o diálogo com o mercado privado .
<span;>Caminho à frente
<span;>Para evitar danos à reputação do Brasil e assegurar a presença de representantes diplomáticos, a combinação de incentivos à ampliação de leitos e ferramentas jurídicas deve ser crucial. O TAC e os monitoramentos da Senacon oferecem respaldo legal, enquanto a inclusão de delegações econômicas menos favorecidas demonstra compromisso com a diversidade e representatividade na COP30
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