A oficina ortopédica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Santarém, no oeste do Pará, tem sido um verdadeiro ponto de virada na vida de vítimas de acidentes de trânsito. Mais do que fornecer órteses e próteses, o espaço representa acolhimento, dignidade e a possibilidade concreta de recomeçar.
Atendendo gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a unidade beneficia moradores de Santarém e de outros 20 municípios do Baixo e Médio Tapajós. O serviço inclui desde a produção de dispositivos ortopédicos, como cadeiras de rodas, até o acompanhamento fisioterapêutico especializado para a reabilitação funcional dos pacientes.
Entre as histórias que emocionam está a do pizzaiolo Círio Cardoso, que há 12 anos sofreu um grave acidente. "Soube da Apae e desde então sou acompanhado por eles. Graças a Deus, voltei a andar, retomei os estudos e hoje tenho minha família. A vida recomeçou. Se for beber, não dirija. Eu não tive essa consciência e paguei um preço alto", compartilhou.
Outro caso é o de Edivan Oliveira Carvalho, que após perder a perna, ficou cinco anos dependente de uma cadeira de rodas até ser indicado à Apae. “Foi um choque acordar sem a perna. Mas a Apae me deu suporte, me ajudou a reaprender a andar. Hoje sou outra pessoa. A vida vale muito mais do que a imprudência no trânsito”, afirmou.
De acordo com a fisioterapeuta Sara Tapajós, o trabalho na oficina é minucioso. “Cada paciente passa por avaliação médica e fisioterapêutica após a cicatrização do coto. Só então iniciamos o treino de marcha com a prótese. O acompanhamento continua depois da entrega, com revisões periódicas e trocas a cada um ano e meio ou dois anos, conforme o caso”, explicou.
A oficina da Apae em Santarém é, mais do que um espaço técnico, um lugar onde vidas são reconfiguradas com empatia e compromisso, oferecendo não apenas mobilidade, mas também esperança.

Comentários: