As comunidades ribeirinhas de Óbidos, no oeste do Pará, começaram a receber nesta semana ajuda humanitária enviada pelo Governo Federal após o município decretar situação de emergência em decorrência da inundação no Igarapé Grande. A ação é coordenada pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compedec), que realizou uma expedição pelas áreas mais afetadas para garantir que os donativos chegassem aos moradores com segurança e rapidez.
Ao todo, 16 comunidades foram atendidas com a entrega de cestas de alimentos, kits de limpeza, higiene pessoal, dormitório, colchões e redes. O levantamento das famílias afetadas foi feito pela própria Compedec, que subsidiou o decreto reconhecido pela Defesa Civil Nacional, garantindo o envio dos recursos.
Para muitos moradores, os donativos chegaram em um momento decisivo.
Lucirene Vieira, da comunidade Amador, destacou a importância da assistência:
“Chegou na hora certa. Vai ajudar não só a mim, mas toda a minha família e outras comunidades como Auerana e Amador”, afirmou.
Elvis Cerdeira, da comunidade Auerana, ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas famílias ribeirinhas diante das mudanças climáticas, que têm impactado diretamente a pesca e a renda local.
“Estamos enfrentando tempos em que sofremos com uma seca grande e logo depois com uma cheia grande. Isso atrapalha nossa pesca e nosso sustento, por isso essa ação é tão importante”, comentou.
Entre as comunidades beneficiadas estão Ilha Grande (São João, Núcleo Santana e Nossa Senhora das Graças), Vila Barbosa, Vila Vieira, Vila Poranga, Ipaupixuna (Menino Deus e São Jorge), Amador, Auerana, Januária, Ilha da Capivara, Igarapé do Pinto, Nossa Senhora das Graças (Paraná de Baixo) e Liberdade.
A situação do Igarapé Grande foi a mais crítica, já que uma tapagem — acúmulo de vegetação no leito — impediu a navegação e dificultou o acesso dos próprios moradores. Como consequência, os donativos para essa comunidade serão entregues na sede da Defesa Civil.
A coordenadora da Defesa Civil de Óbidos, Laura Baima, explicou que, apesar da proximidade do período chuvoso, a estiagem continua causando transtornos, como longas distâncias até transporte, acesso à água e serviços essenciais. Por isso, um novo decreto, agora devido à estiagem, já está em fase de elaboração para garantir novamente o apoio dos governos estadual e federal.
Além da resposta emergencial, a Compedec já planeja ações preventivas para o período de enchentes, que incluem a aquisição de materiais para construção de pontes e a elaboração de planos de trabalho para assegurar aprovação e envio de recursos quando necessário.
A atuação reforça a importância do planejamento e da mobilização antecipada, garantindo que as comunidades ribeirinhas tenham suporte diante dos impactos das mudanças climáticas, que têm tornado eventos extremos cada vez mais frequentes na região.

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