Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Polícia Federal, realizaram nesta sexta-feira (10) a demolição de um muro erguido ilegalmente por um empreendimento residencial de alto padrão na Área de Proteção Permanente (APP) de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará.
O terreno, que por anos abrigou a Escola da Floresta, estava sendo preparado para a construção de um condomínio. No entanto, a Justiça Federal confirmou que o muro foi erguido sem licenciamento ambiental válido, desrespeitando normas de proteção da vegetação nativa e ameaçando a integridade ecológica da região.
Os proprietários tentaram, sem sucesso, impedir a ação por meio de mandado de segurança, alegando possuir autorização municipal. A juíza federal Grace Anny de Souza Monteiro negou o pedido e revogou uma liminar anterior que suspendia temporariamente a demolição.
Durante a operação — parte da Operação Caraipé II — ambientalistas e lideranças comunitárias acompanharam o cumprimento da sentença. Entre eles, o líder Borari Osmar Vieira destacou a importância da mobilização popular:
“Alter do Chão é um território do nosso povo Borari, Alter do Chão precisa ser respeitado. A nossa voz é o que fortalece esse território.”
Em nota, o Ibama afirmou que a ação seguiu protocolos técnicos e ambientais rigorosos, priorizando a segurança das equipes e a minimização de impactos adicionais. O Instituto destacou ainda que a iniciativa integra esforços contínuos para coibir ocupações irregulares e recuperar áreas degradadas na Amazônia.
A demolição do muro simboliza um passo importante na defesa do equilíbrio ambiental e da valorização dos territórios tradicionais na região oeste do Pará, reforçando o compromisso das instituições com a preservação da “Pérola do Tapajós”.

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