A comunidade agroextrativista de São Braz, localizada no km 7 da PA-457 (região do Eixo Forte, em Santarém), foi palco da 20ª edição do Festival do Tacacá, que reuniu centenas de moradores, visitantes e turistas durante os dias 5, 6 e 7 de julho.
Mais do que uma celebração gastronômica, o evento representa um esforço comunitário de valorização das tradições amazônicas, incentivo à economia solidária e fortalecimento da identidade cultural do povo que vive do extrativismo e da agricultura familiar. Segundo a organização, mais de 700 famílias da comunidade e áreas vizinhas participaram diretamente da montagem, organização e oferta de produtos durante os três dias de programação.
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🌿 Tradição, sabor e ancestralidade no centro da festa
O prato principal do evento, o tacacá, é uma iguaria indígena feita à base de tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão seco. No festival, ele ganha variações criativas e é servido em diferentes versões – do mais tradicional ao vegano, com ingredientes cultivados localmente.
Além do tacacá, barracas ofereceram vatapá, bolinho de piracuí, caldeirada, além de polpas de frutas nativas como taperebá, cupuaçu, muruci e bacaba. O espaço também contou com uma feira de economia criativa, com produtos artesanais, roupas feitas com fibra natural e biojoias.
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💃 Cultura popular e fé presentes em todas as noites
Durante a noite, o palco montado ao ar livre deu lugar a grupos de carimbó, danças indígenas, apresentações de cordelistas, quadrilhas juninas, e ainda shows regionais de música popular paraense. O encerramento foi marcado por uma missa campal e procissão em homenagem a São Braz, padroeiro da comunidade.
A participação de grupos como “Pé de Jambu” e “Raízes do Tapajós” emocionou o público, resgatando lendas e memórias orais de antigas gerações. Oficinas culturais também foram ofertadas para crianças e jovens, incentivando o aprendizado de instrumentos regionais, técnicas de culinária e contação de histórias tradicionais.
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💰 Impacto econômico e sustentabilidade
De acordo com estimativas da organização, o Festival movimentou mais de R$ 150 mil em vendas diretas, especialmente nas áreas de alimentação, artesanato e agricultura familiar. Toda a renda foi revertida para as famílias envolvidas, fortalecendo o modelo de autogestão comunitária.
O evento contou com apoio técnico da Emater, Secretaria de Cultura de Santarém (Semc), Ufopa, movimentos de economia solidária, além da Paróquia São Braz. Segundo os organizadores, um dos objetivos é transformar o festival em rota turística permanente, com inclusão em pacotes de Alter do Chão.
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📣 Depoimentos que reforçam a importância do evento
> “Este festival é o reflexo da força do nosso povo. Além da fé e da cultura, ele alimenta nossas famílias. Aqui, o tacacá é mais do que comida, é resistência”, disse Dona Francisca Sousa, moradora da comunidade há mais de 40 anos e uma das cozinheiras tradicionais do evento.
> “A cada ano vemos mais jovens se envolvendo, aprendendo com os mais velhos e mantendo viva essa tradição. Isso é o verdadeiro desenvolvimento sustentável”, destacou Carlos Mendes, representante do coletivo Jovens do Eixo Forte.

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